Nomofobia – você sabe o que é?

O mundo virtual é muito interessante, rico e desafiador – não há como negar. Além disso, de forma direta ou indireta, a tecnologia faz parte de nossa vida cotidiana.

Até os leigos na área conhecem bem o transtorno que está por trás da frase “o sistema caiu”.

Assim como ocorreu com a revolução industrial, ferroviária e automobilística, a revolução digital veio para ficar.
Veio para facilitar o cotidiano, ampliar as fronteiras do conhecimento e satisfazer a necessidade humana de comunicação e relacionamento.

O problema é que muitas vezes a tecnologia domina quem deveria dominá-la.

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Quando o mundo virtual é mais interessante do que o mundo real

A exposição excessiva de lugares maravilhosos e experiências admiráveis – sempre com grandes chances de se tornarem populares e obterem muitas visualizações – tornou o mundo real sem graça e o mundo virtual digno de veneração para muitos. 

Em outras palavras, o mundo real seria como uma espécie de televisor em preto e branco enquanto o mundo virtual seria como a maior tela possível de um televisor de última geração. 
Talvez isso explique o sucesso das redes sociais, pois a idealização é muito mais agradável do que a realidade nua e crua. 

Para decepção de muitos, não há configuração disponível para fazer log off 100% do mundo real e login total no mundo virtual. Então, a única opção para esse grupo de pessoas é estar online o máximo de tempo possível, navegando nos mares da ilusão de uma vida que não é real.


Orkut e companhia

Somos seres naturalmente sociáveis, por isso as redes sociais fazem tanto sucesso. 

Muitos de vocês provavelmente se lembram do Orkut, My Space, ILike. Hoje, o sucesso está com Facebook, Twitter, Instagram e Whatsapp. 


Futuramente ainda não sabemos, mas acredito que esse formato sobreviverá por muito tempo, pois preenche as lacunas dos relacionamentos e da comunicação, mesmo que de forma muito precária, superficial e irreal. Mas quem sabe as redes sociais do futuro sejam utilizadas com mais foco na qualidade do que na quantidade de amigos, postagens e compartilhamentos irrelevantes.


Apps

Os aplicativos foram criados para facilitar a vida. E não o contrário.

Em 2016 haviam aproximadamente 2,9 milhões de aplicativos – por isso é essencial filtrar o que é realmente necessário ou importante para você.

Caso contrário, assim como ocorre com o consumo sem reflexão, é grande a probabilidade de perder tempo e dinheiro com aplicativos que não tem utilidade nenhuma para você.

Fotografar ou apreciar o momento?

Esse é um dilema no qual quase sempre a primeira opção é a vencedora.

Muitas pessoas fotografam até o prato de comida para postar nas redes sociais. Não que seja uma atitude errada, mas acho bem estranha.

Qual é o objetivo dessa postagem?

Exposição?

Idealização do real no mundo virtual?

Será que após essa postagem a comida terá um sabor melhor?

Não. Ou sim, dependendo do número de curtidas…

Ouvi certa vez o psiquiatra Flávio Gikovate dizer que as pessoas esperam muito da vida, mas que tudo o que poderia ser inventado para melhorar nossas emoções, sentimentos e proporcionar bem-estar já foi inventado.

Para mim, ele tem toda razão. Mas para que o sentimento de realização ocorra, é necessário mais presença nas experiências do que preocupação em fotografar para criar futuras postagens nas redes sociais. 

Tirar uma foto ou outra é legal, pois muitas vezes esquecemos de algumas situações vividas e as fotos são muito úteis para nos ajudar a recordar os acontecimentos e os detalhes importantes esquecidos, mas quando em excesso, nos tornamos máquinas de fotografar e não estamos prontos para viver o momento.


Nomofobia?

Você deve estar se perguntando o que tudo isso tem a ver com a tal nomofobia. Essa palavra deriva de uma expressão inglesa “no mobile phobia”, que significa medo de ficar sem o celular. 

Em 2008, a comunidade psiquiátrica adotou esse termo para classificar as pessoas com problemas de comportamento relacionados à essa área, ou seja, o distúrbio foi detectado há praticamente uma década!


Algumas características e sintomas da nomofobia

– Perda de contato com pessoas próximas

– Desespero anormal ao saber que poderá ficar sem o celular

– Ansiedade

– Angústia

– Irritabilidade

– Estresse

– Depressão

– Dor de cabeça

– Tremores

 

Uma pesquisa importante

A revista Time e a empresa Qualcomm chegaram a resultados surpreendentes em uma pesquisa:

35% dos brasileiros consultam o celular a cada 10 minutos. Exceto em casos pontuais, nunca entendi essa ânsia por verificar o tempo todo se algo chegou.


74% dos brasileiros dormem com o celular perto da cama por não conseguirem ficar longe do aparelho. Um número bem elevado, não acha?


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Conclusão

Assim com em tudo na vida, o equilíbrio na relação com a tecnologia é fundamental para que essa seja uma relação saudável, produtiva e prazerosa. E não disfuncional e frustrante.

O interesse pela qualidade e não pela quantidade de amigos nas redes sociais é muito importante, pois pouco se aproveita de amizades superficiais com mil pessoas.

Para finalizar, gostaria de sugerir um teste: durante 1 semana, preste muita atenção em como é o seu relacionamento com o celular. Ao final desse tempo, acredito que conseguirá visualizar melhor se você domina a tecnologia ou se é dominado por ela.

Como foi dito no início do post, a tecnologia veio para ficar. Por isso, o quanto antes você conseguir iniciar – ou manter –  uma relação saudável e equilibrada com ela, melhor para você mesmo.


Referências:

Revista Conexão – Editora Casa Publicadora Brasileira –  ano 9, nº 37
Nomofobia: conheça os sintomas de um dos maiores vícios do futuro

Créditos das imagens: 
holohololand e Stuart Miles- Free digital photos


12 thoughts on “Nomofobia – você sabe o que é?”

  1. Não sabia que nomofobia é o medo de ficar sem celular. Graças a Deus não tenho isso. Já esqueci em casa e fiquei tranquilo.

    Hoje com o uso moderado, meu celular passa até mais de um dia sem precisar recarregar rs.

    Há vida sem celular! (muitos acho que não sabem disso rs)

    Boa semana!

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  2. Pra resumir isso vira um vício.
    Nomofobia nada mais é que um crise de abstinência.

    Redes sociais, apps etc podem ser viciantes, há descagas de substãncias em nosso organismo quando outros "curtem" nossas fotos, posts etc.
    O sistema de recompensa do cérebro atua nesses momentos. Então a pessoas fica na ânsia em sentir novamente essas sensações positivas e pode haver um certo vazio ou decepção quando seus perfis e postagens não despertam interesse.

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  3. Fala Simplicidade! Ainda bem que não fico futricando o celuleca toda hora, mas que dá vontade, isso dá… O cidadão ficar viciado no celular só diz que a vida dele é bem vazia, as pessoas estão cada vez ou agindo como robôs ou com arrogância, 8 ou 80… Bom, isso é um pensamento superficial, melhor ficar na humildade e tocar o barco. Um abraço!

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  4. Olá, Rosana!

    Não sabia o nome dessa "maleita" -rs, mas, felizmente eu não sou nomofóbica. Uso a Internet todos os dias, mas moderadamente e só tenho o blog. Não uso redes sociais. Meu celular é bem antigo e passo dias com ele desligado, já pra não falar dos fins de semana, que ele fica na minha bolsa "dormindo", bem quietinho e caladinho.

    Gosto de teus posts. São mto úteis e inteligentes.

    Beijos.

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  5. Decididamente… não sou!
    As redes sociais… ainda não me seduziram… apenas o blog… que já me preenche, alguns dos meus tempos livres… e ultimamente, até tenho andado um pouco ausente, em virtude de outras prioridades… por questões de saúde de uma pessoa próxima…
    E propositadamente, recuso-me a ter Net, no meu telemóvel…
    Mas é impressionante… para qualquer lado que nos viremos… as pessoas viraram zombies… olhando para um pequeno ecrã… totalmente desligadas da realidade!… Dá que pensar!…
    Mais um post com uma excelente temática, para reflectirmos!
    Beijinhos
    Ana

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  6. Ana,

    Interessante não ter internet no telemóvel. Você é a primeira pessoa que vi assim, exceto os que possuem telefones simples (de teclas) como eu.
    As pessoas parecem vidradas na tela o tempo todo, verdadeiros zumbis como você falou. Isso é algo que também não quero para mim.
    Bom saber que gostou do meu post. 🙂

    Um bom final de semana!

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