Simplicidade

Quando pensa em simplicidade, o que vem à sua mente?

Uma casa simples no campo?

Um café da manhã com pão quentinho que acabou de sair do forno?

Uma varanda com um magnífico por do sol?

É bem comum que a simplicidade seja compreendida como algo difícil de se alcançar. Muitas vezes isso ocorre devido à correria da vida diária.

Ou então é compreendida como algo que remete à privação, pois com frequência, a palavra simples é utilizada para dizer que uma pessoa não possui o mínimo necessário para uma sobrevivência digna.

 

Mas o que é simplicidade, afinal?

Penso que é mais fácil viver do que explicar a simplicidade.

Em linhas gerais, é descomplicar a vida.

Descomplicar o máximo que puder tudo o que faz parte da sua rotina.

É tornar as coisas mais funcionais.

É perceber que você não precisa de tantos objetos quando imagina.

Na realidade, a maioria das pessoas aprende desde cedo que a vida é assim: precisamos estudar muito, trabalhar muito e comprar muito.

Mas será que precisamos mesmo?

Não aprendemos a valorizar o momento presente.

Não aprendemos a buscar uma vida plena e mais significativa.

 

Estudar muito

A formação acadêmica é essencial. Não só para o mercado de trabalho, mas para a vida.

Aprender algo novo é muito importante, pois amplia o conhecimento e amplia a visão de mundo.

E com o conhecimento adequado, cada um de nós pode se tornar uma pessoa melhor.

A grande questão é que, com a infinidade de cursos, vídeos e sites, muitas vezes perde-se o foco no que realmente é importante de forma pessoal e profissional e se inicia o acúmulo de informações que não terão nenhuma utilidade no presente ou no futuro.

Quantas vezes, no meio da empolgação do momento, você não começou um curso online ou se aprofundou em um assunto que já sabia não ser tão importante para você, para logo perceber que poderia ter utilizado seu tempo de forma mais produtiva?

 

skate

 

Um exemplo pessoal

Eu gosto de skate.

Na verdade, gosto de jogos de skate, como Tony Hawk.

Assisti um pouco das Olimpíadas.

Gostei de ver a Rayssa Leal competir. E fiquei feliz por ela ter conquistado a medalha de prata.

Admiro os atletas que mesmo com poucos recursos conseguem manter a motivação e se destacar dentre outros que nasceram em países ricos.

Nunca acompanhei campeonatos de skate. Não sei quais são os skatistas de maior destaque.

Tampouco tive pretensões de andar de skate algum dia.

Diante do quadro acima, faria sentido eu ampliar meu conhecimento sobre shapes, rodinhas, tênis, equipamentos de proteção, locais onde existem pools e halfpipes?

Faria sentido eu aprender técnicas para fazer heelflips, kickfkips, melons, methods, cannolbals e benihanas?

Não! Não faria nenhum sentido!

Mas muitas vezes é exatamente assim que eu e você agimos.

Queremos aprender sobre algo que já sabemos de antemão que não é para nós.

Talvez essas atitudes estejam baseadas mais em empolgação e ilusão. E nada muito além disso.

Por isso, da próxima vez em que você pensar em aprender algo novo, pense na utilidade daquele aprendizado para a sua vida.

Ou se é algo que realmente tem a ver com você.

Se a resposta for negativa, por que então perder tempo com algo que você já sabe que será apenas perda de tempo?

 

O que a simplicidade tem a ver com tudo isso?

À essa altura, talvez você esteja se fazendo a pergunta acima.

Simples!

A simplicidade pode te ajudar a ter mais foco e dar mais atenção ao que realmente importa para você, de acordo com a sua personalidade, valores e objetivos.

Aprofunde-se nas áreas de conhecimento que são relevantes para você. Não é apenas porque todo mundo está fazendo que você precisa fazer também.

 

Trabalhar muito e comprar muito

Para você, qual é o principal objetivo do trabalho?

Realização pessoal?

Se você for rico, até pode ser.

Mas para a maioria de nós, o principal objetivo do trabalho é a compensação financeira – embora esse seja um assunto considerado como um certo tabu no país. Parece que os norte-americanos sabem lidar melhor com essa questão.

Se a sua remuneração for mediana ou alta, você tem o que poderíamos chamar de “conforto financeiro”.

Nesse cenário, vamos supor que você consiga economizar 30% do seu salário.

O que você faz?

Investe?

Gasta?

Se você investe, excelente escolha.

Está se dando a oportunidade de ter um futuro mais tranquilo nessa área.

Se você gasta, o que você compra?

E por que você compra o que compra?

Muitas vezes, o famoso “eu mereço” fala mais alto. E assim, se procura a compensação em algo que proporcionará uma boa sensação – embora ela permaneça apenas por alguns momentos.

E logo haverá a busca por outras sensações compensatórias.

Além disso, dependendo do tipo de compras, se forem bens duráveis (artigos para casa, livros, etc), haverá mais objetos para limpar e organizar.

E é exatamente esse o tempo que poderia ser utilizado para um agradável lanche da tarde, com um pão caseiro quentinho que acabou de sair do forno.

 

pão, geleias, café com leite e flores em mesa

 

A simplicidade na vida

Vi uma palestra há alguns anos sobre os arrependimentos de pessoas em estágio terminal.

Nenhuma delas disse que havia se arrependido por não ter comprado o carro x ou o celular y. Mas se arrependiam por não terem passado mais tempo com as pessoas queridas. Por não terem perdoado algum familiar.

Os bens materiais são importantes, e exceto alguns que são guardados como lembrança ou os que continuam sendo úteis, o natural e esperado é que todos os outros fiquem algum tempo com você e depois sejam destinados para descarte, doação ou venda.

Ou seja, os bens materiais estão incluídos nas experiências, mas são como coadjuvantes: importantes para a composição e o desenrolar da cena. Porém, sem os atores principais, eles poderiam permanecer lá por anos e nenhum significado relevante teriam.

Assim como o exemplo que citei acima, do lanche da tarde.

Faria algum sentido a mesa toda arrumada, sem ninguém para saborear o pão e apreciar o momento?

Não. Não faria nenhum sentido.

 

O que você não precisa

Você não precisa de todos aqueles objetos que te fizeram acreditar que você realmente precisava.

Você não precisa guardar 50 fotos parecidas só porque foram tiradas em dias diferentes.

Você não precisa diversificar seus investimentos a ponto de ficar até difícil acompanhar tudo.

Você não precisa acreditar que merece comprar algo como compensação apenas por ter encerrado mais uma semana de trabalho.

Você não precisa guardar objetos que um dia foram importantes para você, mas que hoje não são mais.

Você não precisa olhar para o passado com uma certa culpa por ter sido uma pessoa complicada demais, estressada demais, atarefada demais. O que passou, passou. Nesse momento, o que importa é o que você vai fazer daqui para frente.

 

O que você precisa

Você precisa encontrar maneiras de simplificar sua vida, seus pensamentos, suas atitudes, seus hábitos.

Você precisa se desfazer de objetos que não quer mais, seja descartando, doando ou vendendo.

Você precisa acreditar que não precisa de tudo o que te fizeram acreditar um dia.

Você pode acreditar que um bom banho relaxante, um lanche feito em casa, uma boa leitura e uma boa noite de sono podem ser uma excelente maneira de você se sentir bem consigo mesmo. E satisfeito após ter encerrado mais uma semana de trabalho.

Você pode acreditar que daqui há algum tempo não sentirá falta nenhuma daquelas 49 fotos quase idênticas que apagou e que a única que guardou é o suficiente.

Você pode ter uma carteira de investimentos mais reduzida, funcional e ainda assim conseguir bons retornos.

Você precisa dar mais atenção ao que realmente importa para você.

 

simplicidade flor com emoticon sorrindo e água por baixo

 

Para finalizar

A vida pode ser simples e significativa ao mesmo tempo.

Que cada um de nós tenha sabedoria, entendimento e conhecimento para tornar os dias mais leves, agradáveis e inspiradores.

Que em nossa vida estejam presentes a alegria, a saúde, a simplicidade e a paz.

 

Créditos das imagens: TheKit_13, Gerd Altmann e Marc Todesco – Pixabay

 

10 thoughts on “Simplicidade”

  1. Muito lindo esse texto e fala de algo que sempre cultivo e vivo: a simplicidade da vida e das coisas!
    Me vi no texto!
    beijos, lindo dia! chica

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  2. Olá Rosana, como sempre seus textos nos agregam valores imensuráveis, no quesito fazer repensar. Poderia dizer que ilustra bem seu texto, uma musica da MPB bem famosa por trazer um desejo nosso de cada dia, que é a musica Casa no campo, que foi composta por um publicitário o Zé Rodrix. Assim eu volto à minha infância de interior (dia bom para relembrar) e tenho uma visão de simplicidade, talvez pela falta de recursos mesmo, era criativa no fazer os próprios brinquedos, no vestir simples sem marcas famosas e falta das parafernálias eletrônicas de hoje, que roubam a criatividade e diversão coletiva. Perfeita neste impulso de comprar o que muitas vezes não nos diz nada, além do ter. Simplicidade pode ser, este desprendimento das coisas, do ter e buscar o ser com mais inteligência e objetividade, que nos proporcione paz e menos stress.
    Muito boa reflexão e pensamentos aqui ilustrados.
    Abraços e que a semana flua leve e simples amiga.

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    • Toninho,

      A falta de recursos e de tecnologia não tornou nossa infância mais infeliz. Na verdade, acho que todos nós guardamos com carinho alguns desses momentos de simplicidade e criatividade.

      Eu ainda não conhecia essa música. A letra é muito bonita e tem muito a ver com o que também penso.

      Bom saber que gostou do meu post!

      Que seu final de semana também siga simples e leve. 🙂

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  3. Olá Rosana, bom dia

    Esse texto me faz recordar de um trecho da música do Legião Urbana:
    “… Quem me dera ao menos uma vez, que o mais simples fosse visto como o mais importante…”

    Concordo com seu texto e acredito que o prazer é manter-se aberto para as coisas simples. Não banalizar ou menosprezar, mas sim valorizar a presença nos momentos simples da vida.

    Abraços,

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    • Voando Abaixo do Radar,

      Gostei da citação.

      Muitas vezes (ou quase sempre?), não damos ao mais simples o valor que ele realmente merece. Mas ainda estamos em tempo de mudar esse hábito.

      Um bom final de semana,

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  4. Excelente texto, Rosana!!!!

    A apreciação das coisas simples da vida na verdade é o que importa mais.

    Que possamos a cada dia crescer em sabedoria a respeito de tão importantes valores!

    Abraços!

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    • Guilherme,

      “Que possamos a cada dia crescer em sabedoria a respeito de tão importantes valores!”
      Faço das suas as minhas palavras.
      Com tantas ilusões e distrações tão presentes em nossa vida, precisamos mais do que nunca voltarmos nossa atenção ao que realmente importa.

      Um bom final de semana!

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